Psiu!
Fale baixinho...
pise de leve.
Silencie
sua voz metálica.
Use voz mais branda.

Não acorde a menina,
mal adormeceu...
exausta dos maus-tratos seus!
Hipócrita!
Recolhe seu espanto
e sai.

Velarei seu abandono.
É comovente ver
como sente essa menina...
Vi a lágrima sentida,
ouvi o coração palpitar.
Passarinho preso
na armadilha que armou.

Não se dá conta
que ninguém a irá salvar
... se não quiser voar.
Pobre menina...

Tanta trapalhada,
tanta confusão!
só ouve
o que lhe diz o coração.
Vai aprendendo
do jeito doído... a acordar.

É a vida.
Dura.
Zombeteira.
Ilusória.
Terá que encarar.

Minha menina...
Olhe sua face:
nem dormindo para de sangrar.
Talvez, por saber,
...que despertará.


Aracaju,
19/10/2002

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