Psiu!
Fale baixinho...
pise de leve.
Silencie
sua voz metálica.
Use voz mais branda.
Não acorde a menina,
mal adormeceu...
exausta dos maus-tratos seus!
Hipócrita!
Recolhe seu espanto
e sai.
Velarei seu abandono.
É comovente ver
como sente essa menina...
Vi a lágrima sentida,
ouvi o coração palpitar.
Passarinho preso
na armadilha que armou.
Não se dá conta
que ninguém a irá salvar
... se não quiser voar.
Pobre menina...
Tanta trapalhada,
tanta confusão!
só ouve
o que lhe diz o coração.
Vai aprendendo
do jeito doído... a acordar.
É a vida.
Dura.
Zombeteira.
Ilusória.
Terá que encarar.
Minha menina...
Olhe sua face:
nem dormindo para de sangrar.
Talvez, por saber,
...que despertará.