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Invade-me tua presença em ondas,
como se do mar, roubasse o movimento.
Das palavras, emudecidas a tanto tempo,
(em interno soluço transformadas)
gotejam sussuros de acalanto,
estancando o pranto,
afagando o coração, ora liberto.
Escuto, da alcova íntima, resguardada,
os clarinetes histéricos, alertando:
invadira minha muralha.
Ah Deus! Clamo assustada,
no turbilhão de sentimentos,
revividos nesse exato momento,
em que estou prestes a cair, conquistada.
A menina dos meus olhos sangra, ainda,
no corte sutil que tua adaga,
afiada em versos, inclemente abriu.
Portanto, amor, embainha tua espada.
É uma nova jornada o que almejo,
e no intervalo em que não te vejo,
cai no esquecimento o pueril.
Amanhece e anoitece a paz em mim,
não mais percebo ocasos tristes,
lamentos esquecidos do que não vivi.
Da recordação que embalo, brota o talo,
e floresço na primavera que inicia,
exalando um odor único: lavanda.
Que lava e anda, evoluindo na cadência,
que fatalmente me conduzirá a ti.

22/08/2003

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